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quarta-feira, 20 de maio de 2026

20 de Maio, o Dia Mundial das Abelhas

Celebra-se hoje, dia 20 de Maio, o Dia Mundial das Abelhas, proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas para lembrar a importância da polinização para o desenvolvimento sustentável.



“Abelhas inspiradas pela natureza para nos nutrir a todos” é o tema escolhido este ano para destacar o papel fundamental que as abelhas e outros polinizadores desempenham nos sistemas agro-alimentares e na saúde dos nossos ecossistemas.
Actualmente reconhecem-se mais de 200 000 de espécies animais polinizadores, a grande maioria das quais são selvagens, e que incluem borboletas, aves, morcegos e mais de 20 000 espécies de abelhas.
Mas, os polinizadores estão cada vez mais ameaçados pela perda de habitat, por práticas agrícolas insustentáveis, pelas alterações climáticas e pela poluição. O declínio das espécies polinizadoras põe em risco a produção alimentar, aumenta os custos de produção e pode ter efeitos devastadores no futuro do nosso abastecimento alimentar.
As abelhas e outros polinizadores são essenciais para uma agricultura sustentável e para o equilíbrio ecológico, permitindo a produção de mais de 75% das culturas mundiais, incluindo frutas, legumes, frutos secos e sementes. Para além de aumentar o rendimento das culturas, os polinizadores melhoram a qualidade e a diversidade dos alimentos, e também são indicadores da saúde ambiental. Fornecem informações sobre os ecossistemas e o clima e contribuem para a biodiversidade, a fertilidade dos solos, o controlo de pragas e a regulação do ar e da água.
Não é necessário ser apicultor para proteger as abelhas e outros polinizadores. Todos podemos contribuir com algumas medidas simples, como por exemplo: optar por escolhas alimentares orgânicas e sustentáveis; plantar flores atractivas para as abelhas; plantar sebes; evitar a utilização de produtos químicos e pesticidas nocivos; criar espaços para a criação de abelhas ou manter os locais de nidificação para as abelhas que nidificam no solo.
Se as abelhas e outros polinizadores não existissem, não teríamos alguns alimentos!
«Inspiremo-nos na natureza para nos nutrir a todos» – porque proteger os polinizadores é proteger o nosso futuro!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Bruxelas avança com proibição de pesticidas que matam abelhas



A Comissão Europeia vai impor a proibição de pesticidas suspeitos de estarem a dizimar populações de abelhas, apesar de a proposta não ter conseguido acordo dos países da União Europeia (UE).
Numa votação de recurso nesta segunda-feira, em Bruxelas, 15 Estados-membros posicionaram-se a favor da proposta da Comissão, que prevê a suspensão, por dois anos a partir de Dezembro, do uso de três pesticidas da família dos neonicotinóides, amplamente aplicados na agricultura. Oito países votaram contra – incluindo Portugal – e quatro abstiveram-se.

Portugal votou contra, alegando que é necessária outra metodologia para avaliar estes riscos. "É nosso entendimento que deve ser dada continuidade aos trabalhos já em curso com vista à consolidação dos princípios e orientações técnicas de avaliação do risco e tomada de decisão relativa aos efeitos dos produtos fitofarmacêuticos em abelhas e, ainda a revisão científica dos protocolos de ensaio de toxicidade de produtos fitofarmacêuticos sobre abelhas, incluindo outros polinizadores, de modo a melhor aferir dos efeitos tóxicos agudos, e subletais destes produtos e dos seus resíduos", diz uma resposta escrita enviada pelo gabinete de imprensa do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Apesar de não se ter conseguido a maioria qualificada necessária para aprovar a proposta, o resultado da votação deixou a decisão nas mãos da Comissão Europeia, que já anunciou que irá avançar com as restrições.
Estudos recentes sugerem que alguns pesticidas neonicotinóides, uma vez absorvidos pelas abelhas através do néctar e do pólen das plantas, prejudicam a sua capacidade de navegação e resultam na produção de menos rainhas. Esta poderá ser uma das causas do “desaparecimento” das abelhas, deixando as colmeias vazias, que se tem verificado em vários países europeus e nos Estados Unidos.
Em Janeiro passado, a Agência Europeia de Segurança Alimentar considerou que o uso de tais produtos só seria aceitável em culturas onde as abelhas não se alimentam. Mas a ideia de os proibir vinha sendo vivamente rejeitada por alguns países e pelas multinacionais Bayer e Syngenta, os seus principais fabricantes.
“Dado que a nossa proposta se baseia em riscos para a saúde das abelhas identificados pela Agência Europeia de Segurança Alimentar, a Comissão irá adiante com o seu texto nas próximas semanas”, disse o comissário europeu da Saúde e do Consumidor, Tonio Borg, num comunicado. 
Os pesticidas em causa são o tioametoxam, o imidacloprid e o clotianidin e representam problemas para as abelhas em culturas como canola, girassol, milho e cereais, segundo o relatório da Agência Europeia de Segurança Alimentar.
 A Comissão vai banir o seu uso, excepto em culturas que não atraiam abelhas. Há algumas excepções também para estufas e para a aplicação dos produtos em culturas “problemáticas”, mas apenas depois da floração.
Onde o seu uso for permitido, os pesticidas só estarão disponíveis para profissionais.
A ideia inicial da Comissão era avançar com as restrições já em Julho, mas a data foi adiada para Dezembro. Dentro de dois anos, a situação será reavaliada.
A proposta de Bruxelas já tinha falhado uma primeira votação, dia 15 de Março, conseguindo apenas 13 votos a favor. Entre os países que então votaram contra ou se abstiveram, a Alemanha mudou agora de posição, apoiando a Comissão.
Já o Reino Unido manteve a sua oposição à proposta, argumentando que não há provas suficientes de que os pesticidas façam mal às abelhas e que os prejuízos na agricultura seriam elevados. Os fabricantes dos pesticidas também dizem que não há provas suficientes de que o seu uso em condições normais na agricultura cause problemas às abelhas.
Fonte: www.publico.pt